sábado, 21 de abril de 2007

Mar de Chamas

Durante os três anos que passei em Castelo Branco, passei por muitas situações caricatas, as quais destaco dois incêndios.

O primeiro ocorreu quando morava com quatro colegas: Luísa, Mariana, Natércia e Sónia. Miraculosamente sobrevivemos a esse incêndio. O fogo deflagrou atrás do fogão onde tínhamos duas botijas de gás!! uma para o esquentador e outra para o fogão. Com o pânico, o nosso cérebro não responde convenientemente e nada mais brilhante que ir procurar um extintor ao rés-do-chão, quando vivíamos no décimo segundo e tínhamos um mesmo ao lado da porta…Felizmente não aconteceu nada de grave a nenhum de nós, com excepção da Luísa que ainda hoje sempre que vê uma sardinhada liga para o 117.

O segundo incêndio que sobrevivi, tem pormenores mais peculiares, na medida em que se trata de um incêndio causando por gás metano…sim outra vez o gás metano…
Morava eu no Bairro do Barrocal com o meu grande amigo Traitolas. Um alentejano pacato, que aprecia bom queijo, bom pão, mas tem mau vinho…É daqueles que se transforma…

Desconhecendo os perigos que envolvem um rabo mais flatulento com um isqueiro, tratei de lhe dar a conhecer esse Cocktail Molotov Humano .*

Depois de alguma teoria, passamos à prática, o que se veio a revelar quase fatal.

Traitolas vestia um pijama turco de cor salmão. Sentido que lhe descia pela tripa uma aragem, chamou-me, deitando-se no sofá de pernas abertas, gritando: “Alcidis Alcidis o isquêro o isquêro!!!” Num acto totalmente irreflectido, avanço e acendo o isqueiro...

Só me lembro de ver labaredas crepitantes, chamas, fogo furioso…e um alentejano que não parava de rir com um pijama turco, mas agora completamente chamuscado…


* O cocktail molotov é uma arma incendiária derivada do petróleo bruto. É uma arma química geralmente utilizada em protestos e guerrilhas urbanas.

A sua composição mais eficiente é de um quarto de ácido sulfúrico com três quartos de gasolina comum, podendo até destruir alguns tipos de blindagem.

A sua denominação deriva do nome do diplomata russo Vyacheslav Mikhailovich Molotov, cujo nome foi ironicamente atribuído a esta arma química pelos finlandeses à época da invasão soviética de seu país.

3 comentários:

Filipa disse...

"A sua denominação deriva do nome do diplomata russo Vyacheslav Mikhailovich Molotov, cujo nome foi ironicamente atribuído a esta arma química pelos finlandeses à época da invasão soviética de seu país."
As coisas que eu aprendo contigo...
Beijocas!

Anónimo disse...

Olá Alcides... Tou a ver que continuas a arruinar a minha reputação, mas pronto, vindo de ti já é normal... Continuas um pulha, eu tinha devolvido a nota de 10 heróis ao senhor. Nem foste ao almoço em CB...

Anónimo disse...

Bem, nunca estive tão perto de ir para o Jardim das Tabuletas como nessa famosa noite do incêndio...Mas pronto, há que ver sempre o bom lado das coisas: se isso tivesse acontecido, teríamos passado no Jornal da TVI,em primeira notícia...quer dizer, em segunda porque o pontapé do Marco para a Sónia ganháva-nos...
Um beijo de saudade,
Lu