terça-feira, 14 de outubro de 2008

Estrangeirismos

Diariamente utilizamos palavras, às quais damos o nome de estrangeirismos, sem sequer pensar na origem das mesmas. São palavras que fazem parte do nosso vocabulário e nos facilitam a comunicação. Por norma, estas palavras não têm o equivalente morfológico na Língua Portuguesa e algumas delas são palavras que são criadas na sequência de alguma descoberta/invenção ou investigação (etc.) de alguém e que acaba por, posteriormente, personificar o feito.

Mas a questão que coloco, é de que maneira afectaria a nossa comunicação se estas descoberta/invenção ou investigação (etc.), fossem feitas por portugueses?

Consideremos os exemplos no campo da Física:
  • O Watt é unidade para a potência e recebeu o nome de James Watt.

  • O Ampere é uma unidade de medida usada para medir a intensidade de uma corrente eléctrica cujo nome foi uma homenagem André-Marie Ampere.

  • O Hertz é a unidade frequência, a qual é expressa em termos de oscilações. A unidade é nomeada em homenagem ao físico alemão Heinrich Rudolf Hertz.

  • Volt é a unidade de tensão eléctrica, a qual denomina o potencial de transmissão de energia, por carga eléctrica. Foi baptizada em honra ao físico italiano Alessandro Volta.

    Agora, imaginemos que todas estas investigações tivessem sido feitas por Portugueses Iluminados e reparem na forma como falaríamos.
Em vez de Watt – Oliveira: “Eh pá quitei o meu Fiat Punto com um subwoofer de 1100 Oliveiras de potência.”

Em vez de Ampere - Silva: “Ouve lá não estás interessado em comprar uma máquina de soldar baratinha? Tem 160 Silvas…”

Em vez de Hertz – Custódio: “Cada microondas possui um magnetrão, um tubo em que os electrões são afectados pelo campo eléctrico magnético de maneira a produzir uma radiação com um micro comprimento de ondas, cerca 2450 Mega Custódios.”

Em vez de Volt – Eustáquio – “Perigo! Linhas de Alta Eustaquiagem.”

Curioso, não?

domingo, 12 de outubro de 2008

Às compras no Chiado.

“Sou lindo como Brad Pitt, tenho o charme do Pierce Brosnan e a minha melhor característica é ser possuidor da eloquência do Professor Marcelo Rebelo de Sousa.”

Não, não estou a falar de mim, mas de um espécime com que cruzei, numa loja no Chiado.

O episódio teve lugar na passada sexta-feira. Enquanto escolhia umas peças de roupa, cruzo-me com um tipo que, sozinho, também ele procurava adquirir uns trapos. É importante fazer a descrição do cavalheiro para que o possam visualizar.

O indivíduo trajava umas calças de pinças, cujo último exemplar terá sido manufacturado por alturas da Guerra Fria e que se encontravam sensivelmente abaixo das axilas; uns sapatos tão pontiagudos e reluzentes que consegui ver os meus pontos negros à distancia de 2,5 m (e o meu tom de pele não é propriamente claro) e uma t-shirt de alças pretas, com os vestígios de um desodorizante mais descuidado.

Nisto, toca o seu telemóvel. Ele pára subitamente, olha para o telemóvel e solta para quem quisesse ouvir: “Dass! O Grelo não me larga!”

Olhei, incrédulo, para o senhor e ele sorriu com cara de:

“Sou lindo como Brad Pitt, tenho o charme do Pierce Brosnan e a minha melhor característica é ser possuidor da eloquência do Professor Marcelo Rebelo de Sousa.”

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

No poupar é que está o ganho.

O Banco Best lançou esta terça-feira, o depósito “McCain/Obama”, com prazo indexado às eleições dos Estados Unidos da América que permite ao cliente, de acordo com a sua previsão, aplicar o seu dinheiro no depósito McCain ou no depósito Obama.

A rentabilidade deste produto é variável de acordo com o resultado das eleições presidenciais norte-americanas. O candidato vencedor garante 8% e o candidato vencido 2%.

Consideremos este cenário à realidade do Zimbabwe ou da Venezuela. Se uma instituição financeira desses países optasse por colocar no mercado tal produto, seria aquilo a que os americanos diziam (Sim! Porque da maneira como os Bancos andam a fechar lá para as bandas do Tio Sam, já não dizem…diziam): That’s money in the Bank!

Com processos eleitorais completamente democráticos e magnânimos, as possibilidades de obter um rendimento extra na subscrição de um depósito a prazo seriam quase certas, até porque investir em activos mobiliários é mais perigoso que passear em Pamplona vestido de vermelho, em dia de encierro.

Por isso, como o Sr. Mugabe e o Sr. Chavez são leitores assíduos deste espaço, aconselho-os a ponderarem uma reunião com os Banqueiros dos seus países no sentido implementarem estratégias de poupança junto dos seus eleitores.

O montante mínimo de subscrição seriam 10 berlindes, um pião, um pau e dois elásticos porque a inflação… está pela hora da morte.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Small Time Crooks

Tendo em conta o actual clima de (in) segurança que abrange o nosso país (que actualmente até incita à abertura de negócios no ramo da ourivesaria e gasolineiras) o nosso sistema penal não podia estar mais actualizado e preocupado com o bem-estar de alguns indivíduos que pretendem melhorar a sua condição financeira à custa…de terceiros.

Como prova disso, uma procuradora do Ministério Público de Sintra ordenou que fossem libertados com a medida de coacção mais leve, isto é, termo de identidade e residência, três cadastrados de um gang considerado perigoso foram detidos na segunda-feira por posse de um arsenal de armas proibidas, por suspeitas de carjacking e de um assalto a uma ourivesaria.

Pois bem, de acordo com o artigo 42º do Código Penal a execução da pena prisão visa defender a sociedade destes ambiciosos e impedir que o suspeito continue a perpetrar ilegalidades.

Mas neste caso não! O suspeito é um tipo cumpridor dos seus deveres cívicos, Coleccionador e connaisseur de armas, amante de jóias e de carros que alta cilindrada, logo, a medida de coação é a mais apropriada, pois ele não representa qualquer perigo para a sociedade.

Sou apologista desta medida, pois os verdadeiros Bandidos são aqueles que roubam queijo ralado num mini-mercado de provincia, que roubam os rebuçados nos estabelecimentos comerciais que os disponibilizam gratuitamente, os Gatunos, que levam para casa sem autorização os lápis e a respectiva fita métrica do Ikea.

Esses pelintras deviam ir todos presos!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Diário de Maria em Alta Definição

“A revolução não será televisionada" disse Gil Scott-Heron, eu Alcides Estrela digo, “A estupidificação será televisionada…e em horário nobre.” Refiro-me, obviamente, ao programa Toda a Verdade.

Se pensávamos que o lixo televisivo tinha atingido o seu ponto mais elevado com os programas de voyeurismo em massa como os Big Brothers, nas suas mais variadas versões, eis que chega um programa que pretende elevar ainda mais os níveis de imbecilidade que a Televisão pode proporcionar.

As estações televisivas vivem de audiências e nada como ouvirmos ilustres desconhecidos, a troco dinheiro, confessarem a ausência de princípios, valores e referências. É triste ver pessoas confessarem coisas absolutamente absurdas a troco de dinheiro. Estarão assim tão desesperadas? Será um objectivo pessoal aparecer na Televisão e ter os famosos 15 minutos de fama (ainda que através de confissões de violência doméstica, entre outras coisas)?

Houve um programa que teve 1.2 Milhões de telespectadores! O tal do homem de Gondomar que aldrabava os clientes do seu estabelecimento comercial, com uma balança duvidosa.

É o ópio do povo. O nosso Diário de Maria em Alta Definição.

Acho que chegámos a um ponto em qualquer dia teremos um programa, também em horário nobre, onde se aprende a roubar, a matar, a enganar as autoridades, a fugir ao fisco, a ser corrupto, a abusar sexualmente menores…

Chego à conclusão que esse programa já existe…Chama-se Telejornal.